1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande
luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face
a face;
De
que luta estaria Paulo falando? E ele inclui também os laodicences e todos os
que não o conheciam pessoalmente.
Certamente
essa luta envolve bastante oração, conforme até aqui já vimos. Paulo também
empreende seus esforços intelectuais, iluminados pela graça de Deus para
prevenir todos os seus leitores das diversas filosofias que ameaçavam o
evangelho.
Assim
também, nós devemos empreender todo o nosso esforço em oração e no ensino para
prevenir nossos irmãos dos diversos erros que se apresentam em nossos dias.
2 para que o coração deles seja confortado e
vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção
do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo,
Para
que o coração seja “confortado”, ou em outra tradução, “fortalecido”, e
vinculado juntamente em amor. Embora Paulo tenha muito o que ensinar do ponto
de vista doutrinário, seu foco é o coração de seus leitores e de todos quanto
precisarem. O coração é o centro da vida das pessoas, segundo a concepção da
época. É do coração que procedem as fontes de vida, de modo que, ganhar o
coração equivale a ganhar a pessoa inteira. Isso mostra que o objetivo do
evangelho não é buscar uma adesão exterior, provocada pelos mais diversos
fatores, como o medo, a ambição, ou a culpa, mas sim uma transformação do
coração, de dentro para fora. Somente pessoas com o coração fortalecido no
evangelho poderão resistir contra os diversos ataques que o mundo oferece.
Talvez não sejam as poucas vezes que alguém possa se sentir seduzido por alguma
vã filosofia, por não conseguir talvez até mesmo refutar certas ideias. Mas se
o coração desta pessoa estiver firmado em Cristo, ela não errará o caminho. O
coração tem que estar vinculado a Cristo pelo amor, e também uns para com os
outros.
e eles tenham toda a riqueza da
forte convicção do entendimento: Essa forte convicção do entendimento é
considerada uma riqueza, por Paulo. O entendimento pleno do evangelho é
considerado algo de muito valor. Os mestres gnósticos se julgavam detentores de
um tipo de entendimento superior, mas para Paulo, isso é nada comparado ao
conhecimento de Cristo. Nos dias atuais, muitos parecem desprezar um
entendimento maior acerca de pessoa de Jesus, alicerçado nas Escrituras em
troca de uma religiosidade um tanto quanto mais emocional. Paulo já havia
falado acerca do coração anteriormente; agora escreve acerca do entendimento.
para compreenderem plenamente o
mistério de Deus, Cristo: Mistério é algo que esteve oculto, mas
foi revelado. O próprio Deus foi revelado em Cristo Jesus. Paulo deseja que
seus leitores compreendam plenamente a Cristo, o que é um desafio e tanto.
3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do
conhecimento estão ocultos.
É
em Cristo que estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Note
o completo foco que Paulo coloca em Cristo, pois este é completamente
suficiente. Os mestres gnósticos colocavam Cristo “e algo mais”. Deturpavam a
pessoa de Cristo, e pregavam a necessidade de um tipo de conhecimento oculto.
Paulo diz que é em Cristo que se encontra oculta a sabedoria e o conhecimento,
e que se chega a isso por meio de Jesus.
A
pessoa de Cristo é toda abrangente, pois envolve toda a sabedoria e
conhecimento. É uma busca interminável, pois estamos falando daquele em que
habita a plenitude de toda a divindade. Nada há de mais profundo que o ser
humano possa buscar, que não seja conhecer a Cristo.
A
sabedoria divina é muitas vezes enfatizadas nas Escrituras, notadamente na obra
da criação (Sl 104.24; Pv 8.22; Jr 10.12). Sua sabedoria também é expressa na
salvação (1 Co 1.22-25). Em Cristo, se uniram judeus e gentios (Ef 2.13-14), a
justiça divina e sua misericórdia (Rm 3.19-24) .
4 Assim digo para que ninguém vos engane com
raciocínios falazes.
Raciocínios
falazes também pode ser traduzido por “argumentos persuasivos”. É preciso tomar
cuidado para não se deixar enredar por raciocínios que nos afastem da pessoa de
Jesus.
5 Pois, embora ausente quanto ao corpo,
contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa
ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.
Paulo
demonstra total apoio aos colossenses, demonstrando que a comunhão do povo de
Deus transcende a separação física. Esse versículo denota que, embora Paulo
esteja advertindo a igreja para que tome cuidado com falsos ensinamentos, ele
está contente com tal igreja, pois ela tem demonstrado fé em Cristo. Isso nos
ensina que, mesmo se uma igreja parece estar indo bem, não podemos descuidar de
dar o ensinamento correto acerca do evangelho.
6 Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor,
assim andai nele,
Ou
seja, Paulo une aqui coisas que não podem ser separadas. Fé e obras. Convicção
e prática. Andar n’ele significa andar em comunhão com ele, demonstrando uma
vida condizente com aquilo que se diz acreditar.
7 nele radicados, e edificados, e confirmados
na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.
Radicados/arraigados;
edificados; confirmados; instruídos = todas essas ênfases denotam uma ideia de
firmeza em Cristo.
Crescendo/Transbordando
em ações de graças: um coração verdadeiramente grato! Algo a ver com um “oceano
de gratidão”.
8 Cuidado que ninguém vos venha a enredar com
sua filosofia e vãs sutilezas (falsos enganos), conforme a tradição dos homens,
conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo;
Filosofias
e vãs sutilezas visavam a enredar/escravizar as pessoas, afastando-as de
Cristo. Cada forma sistemática de conhecimento era chamada de filosofia, mesmo
se tivesse conotação religiosa, como por exemplo, a “filosofia de Moisés”, dos
fariseus, saduceus, essênios, etc. havia também aquelas decorrentes do mundo
greco-romano, como os epicuristas, cínicos, estóicos, etc. Nesta epístola parece
haver uma miscelânea de crenças sintetizadas em formas filosóficas de se entender
o mundo espiritual, com práticas disformes em relação ao evangelho. Conforme
continuaremos a ver. Mesmo em nossos tempos, há uma série de ideias
sistematizadas que podem acabar por tirar a firme convicção em Cristo dos
fiéis. Tudo isso é segundo a tradição dos homens, em não segundo Cristo. Não é
incomum algum começar a colocar mais força e energia em um tipo de filosofia e
deixar Cristo de lado.
9 porquanto, nele, habita, corporalmente, toda
a plenitude da Divindade.
Ou
seja, divindade, deidade. Em Cristo habita a plenitude (pleroma) da
divindade/deidade. Plenitude da divindade + corpo = divindade e humanidade de
Cristo em uma única pessoa. Os falsos mestres ensinavam que a divindade estava
fragmentada em diversos seres que faziam a intermediação entre os homens e um
plano espiritual elevado. Paulo combate essa ideia, dizendo que a divindade não
está fragmentada.
10 Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o
cabeça de todo principado e potestade.
Ou
seja, é em Cristo que somos transformados. Paulo aqui vincula aquilo que Cristo
é e o que veio fazer, que foi nos aperfeiçoar. Principados e potestades não
estão acima de Jesus, conforme ensinavam os falsos mestres. É justamente o
contrário.
Nestes versículos vemos então que o cristão deve estar plenamente arraigado ao conhecimento de Cristo, e não se deixar seduzir e afastar do evangelho do Senhor, notadamente no que se refere a um sistema de ideias e práticas que nos afastem do caminho da salvação.
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