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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Relacionando-se corretamente com o Espírito Santo

“E não entristeçais o Espírito de Deus no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4.30)

O que aprendemos sobre o Espírito Santo nessa passagem?

1 – Que o Espírito Santo é dotado de personalidade: ele se entristece. Não pode ser apenas uma energia, uma força, uma coisa.

Intelecto: 1 Co 2.10;
Conhecimento: 1 Co 2.11;
Mente (Pensamento): Rm 8.27; 
Emoções: Ef 4.30;
Vontade: 1 Co 12.11; At 16.6;
Ensino: Jo 14.26;
Testemunho: Jo 15.26;
Guia (direção): Jo 16.13;
Convencimento (persuação): Jo 16.13;
Regeneração (novo nascimento): Jo 3.5;
Intercessão: Rm 8.26;

2 – Que o Espírito é de Deus, sendo o próprio Deus. Ele não é uma criatura, um anjo, ou algo do tipo. Ele é também chamado de Espírito de Cristo e Espírito Santo.

Onisciência: 1 Co 2.10-12 – conhece as profundezas de Deus e do ser humano.

Ele é chamado de Espírito de Deus: Rm 8.9 – ter o Espírito é o equivalente a ter o Espírito de Deus.

Ele também é chamado de Espírito de Cristo: Rm 8.9 – Espírito de Deus e Espírito de Cristo são a mesma pessoa.

Ele é o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos: Rm 8.11 – Somente Deus pode trazer um morto de volta à vida. Esse é o mesmo Espírito que habita em nós.

Ele também é Criador: Jó 33.4. Entendemos que já há uma noção hipostática do Espírito no Antigo Testamento, e não somente uma emanação da parte de Deus. Criação é um atributo da divindade.

Onipresença: Jo 14.17; Sl 139.7. Ele não habita em somente uma pessoa, mas em várias, e Ele convence o mundo.

Mentir a ele equivale a mentir a Deus: Atos 5.3 (Pedro diz que Ananias mentiu ao Espírito Santo) – Atos 5.4 (Pedro diz que Ananias mentiu a Deus)
1 Co 3.16-17 (Santuário de Deus) - 1 Co 6.19 (Santuário do Espírito Santo).
 O Espírito Santo é mencionado em igualdade com o Pai e o Filho: Mt 28.19; 1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.2

3 – Ele nos selou para o dia da redenção:
           
            Selo – marca de propriedade quando você creu na mensagem do evangelho
        Redenção – o dia em que serão criados novos céus e nova terra onde habita a justiça. Onde seremos resgatados de nossa condição humana e pecaminosa. Será o fim do sofrimento de toda a criação.

Como não entristecer o Espírito Santo?

Resumidamente: não pecar. E para o alegrar, é viver virtuosamente o evangelho de Cristo.

Temos a dica olhando todo o contexto dos vers. 17 – 32.

Vers. 17 – 24 – Paulo diz para nós nos despirmos do velho homem e nos vestirmos do novo homem.

Vers. 25 – Deixe a mentira e fale a verdade.

Vers. 26-27 – Não se deixe dominar pela ira.

Vers. 28 – Deixe de furtar e trabalhe para ajudar quem tem necessidade.

Vers. 29 – Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas somente a que for boa para a edificação.

 Mas a ênfase maior é a que vem no versículo 31:

“Longe de vós, toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda a malícia”

Amargura = disposição interior de uma pessoa com língua aguda como uma flecha e afiada como uma navalha. Guarda ressentimento contra o seu próximo, e assim o fere, com respostas que mordem ou picam.

Cólera/fúria = forte sentimento de antagonismo que é expresso por meio de explosão tumultuosa – ocorrendo em consonância com “amargura” e “gritaria” apontam para um homicídio em potencial

Ira = explosão das emoções como uma fornalha ardente.

Gritaria = explosão violenta de uma pessoa que perde completamente o autocontrole e despeja suas emoções com gritos

Blasfêmias/Malediências = uso ofensivo das palavras dirigidas contra Deus e os homens.

Malícia = má inclinação da mente, perversa disposição em causar prejuízo ao próximo, com astúcia e falsidade.

O que mais entristece então o Espírito Santo são os pecados da língua que afetam negativamente os nossos relacionamentos. Entristecemos mais o Espírito Santo nos nossos relacionamentos.

Como temos que ser então?

“Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”.

Benigno/bondoso = benevolência concedida pelo Espírito, inteiramente contrária à maldade. É fazer algo de bom a alguém.

Compassivo/misericordioso = afeto de Jesus sobre a vida do outro, é ter uma profunda empatia pelo outro, interesse.

Perdoando-vos uns aos outros = sem perdão, é impossível qualquer tipo de comunhão.
Como Deus, em Cristo, nos perdoou: perdoamos porque fomos perdoados.

Note que o interessante é que Paulo diz que, para não entristecermos o Espírito e, em contrapartida, O alegrar, devemos estar atentos ao nosso comportamento e ao nosso relacionamento com as pessoas ao nosso redor. O Espírito quer que nos relacionemos corretamente!

Como nos enchermos do Espírito Santo?

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros ao temor de Cristo” (Efésios 5.18-21).

“Não vos embriagueis com vinho...”: novamente aqui, Paulo dá uma direção “negativa”, qul seja, não se embriagar. O uso do vinho não é proibido (1 Tm 5.23), mas sim o seu abuso. O bispo não deve ser dado ao vinho (1 Tm 3.3), nem os diáconos (1 Tm 3.8), bem como mulheres idosas (Tt .2.3). O filho pródigo viveu de forma dissoluta (Lc 15.13; o mesmo termo empregado em efésios), o que certamente envolvia álcool em excesso e uma vida desregrada.

O modo ideal para combater a embriagues e qualquer tipo de dependência, bem como uma vida desregrada é se encher do Espírito.

O vinho era visto como uma grande fonte de alegria. Em seu sentido religioso, era usado pelos gentios para se entrar em contato com os deuses. Mas aqui, Paulo está indicando que a verdadeira fonte de alegria é se encher do Espirito. E como nos encher com o Espírito?

Vers. 19: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais”.

Salmos: refere-se com toda probabilidade ao saltério das Escrituras Sagradas, muito utilizado pelos cristãos antigos.

Hinos: cânticos de louvor a Deus e a Cristo, conforme temos exemplos no Novo Testamento. (ex: efésios 5.14).

Cânticos espirituais: alguns entendem que é a lírica sagrada. Talvez sejam aqueles cânticos de inspiração individual, como o cântico de Maria, o de Zacarias, de Ana (no antigo testamento), etc. Eram verdadeiras poesias!

Interessante que Paulo determina que falemos uns aos outros dessa forma. E que devemos louvar de coração, não de maneira meramente formal ou mecânica. Ou seja, ser cheio do Espírito acontece em meio à comunidade cantando a Palavra. Então, para sermos cheios do Espírito Santo, precisamos ser uma comunidade cantante! É uma comunidade que canta a Palavra!

Vers. 20: dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo;

Ação de graças é “grato reconhecimento dos benefícios recebidos”.
Essas bênçãos lhe foram:
a.    Concedidas individualmente
b.    Lhe foram dadas pela graça de Deus, ou seja, não por mérito próprio
c.    Ele era indigno delas
d.    São bênçãos das mais diversas, notamente as ligadas ao conhecimento de Deus;

O contrário de dar graças é murmurar, reclamar da vida, falar palavras amargosas, envenenadas. Isso entristece o Espírito, como já vimos anteriormente.

Devemos dar graças sempre, por tudo, em nome de Jesus, a Deus Pai. Logo, seremos cheios do Espírito se tivermos uma vida e atitude de gratidão ao Pai, por meio de Jesus Cristo.
Vers. 21 “sujeitando-se uns aos outros no temor de Cristo”

Seremos cheios do Espirito ao servimos uns aos outros, pois estaremos obedecendo (Mt 18.1-4; 20.28) e imitando (Jo 13.1-17) cabalmente o Mestre! Somos cheios do Espírito não para nos isolarmos, vivermos somente para nós mesmos, mas para servirmos uns aos outros com nossos dons.


Logo, seremos cheios do Espírito Santo ao rejeitar cabalmente o que nos leva para a dissolução, bem como vivermos em uma comunidade que canta a Palavra uns para os outros, tendo sempre gratidão a Deus no coração, e sendo servos uns dos outros.

domingo, 3 de setembro de 2017

Não entristeçam o Espírito Santo de Deus



Esboço da mensagem: 

“E não entristeçais o Espírito de Deus no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4.30).


Epístola aos efésios = uma epístola circular, com doutrina e questões práticas.

Cap. 1 – 3: questões doutrinárias

Cap 4 -  em diante: a prática de vida dos cristãos

O que aprendemos sobre o Espírito Santo nessa passagem?

1 – Que o Espírito Santo é dotado de personalidade: ele se entristece. Não pode ser apenas uma energia, uma força, uma coisa.

Passagens de apoio:

Intelecto: 1 Co 2.10;
Conhecimento: 1 Co 2.11;
Mente (Pensamento): Rm 8.27;  
Emoções: Ef 4.30;
Vontade: 1 Co 12.11; At 16.6;
Ensino: Jo 14.26;
Testemunho: Jo 15.26;
Guia (direção): Jo 16.13;
Convencimento (persuação): Jo 16.13;
Regeneração (novo nascimento): Jo 3.5;
Intercessão: Rm 8.26;

2 – Que o Espírito é de Deus, sendo o próprio Deus. Ele não é uma criatura, um anjo, ou algo do tipo. Ele é também chamado de Espírito de Cristo e Espírito Santo.


Passagens de apoio:

Onisciência: 1 Co 2.10-12 – conhece as profundezas de Deus e do ser humano.

Ele é chamado de Espírito de Deus: Rm 8.9 – ter o Espírito é o equivalente a ter o Espírito de Deus.

Ele também é chamado de Espírito de Cristo: Rm 8.9 – Espírito de Deus e Espírito de Cristo são a mesma pessoa.

Ele é o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos: Rm 8.11 – Somente Deus pode trazer um morto de volta à vida. Esse é o mesmo Espírito que habita em nós.

Ele também é Criador: Jó 33.4. Entendemos que já há uma noção hipostática do Espírito no Antigo Testamento, e não somente uma emanação da parte de Deus. Criação é um atributo da divindade.

Onipresença: Jo 14.17; Sl 139.7. Ele não habita em somente uma pessoa, mas em várias, e Ele convence o mundo.

Mentir a ele equivale a mentir a Deus: Atos 5.3 (Pedro diz que Ananias mentiu ao Espírito Santo) – Atos 5.4 (Pedro diz que Ananias mentiu a Deus)
1 Co 3.16-17 (Santuário de Deus) - 1 Co 6.19 (Santuário do Espírito Santo).
 O Espírito Santo é mencionado em igualdade com o Pai e o Filho: Mt 28.19; 1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.2


3 – Ele nos selou para o dia da redenção:
          
           Selo – marca de propriedade quando você creu na mensagem do evangelho

           Redenção – o dia em que serão criados novos céus e nova terra onde habita a justiça. Onde seremos resgatados de nossa condição humana e pecaminosa. Será o fim do sofrimento de toda a criação.

COMO NÃO ENTRISTECER O ESPÍRITO SANTO?

Resumidamente: não pecar. E para o alegrar, é viver virtuosamente o evangelho de Cristo.

Temos a dica olhando todo o contexto dos vers. 17 – 32.

Vers. 17 – 24 – Paulo diz para nós nos despirmos do velho homem e nos vestirmos do novo homem.
Vers. 25 – Deixe a mentira e fale a verdade.
Vers. 26-27 – Não se deixe dominar pela ira.
Vers. 28 – Deixe de furta e trabalhe para ajudar quem tem necessidade.
Vers. 29 – Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas somente a que for boa para a edificação.

Mas a ênfase maior é a que vem no versículo 31:

“Longe de vós, toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda a malícia”

Amargura = disposição interior de uma pessoa com língua aguda como uma flecha e afiada como uma navalha. Guarda ressentimento contra o seu próximo, e assim o fere, com respostas que mordem ou picam.

Cólera/fúria = forte sentimento de antagonismo que é expresso por meio de explosão tumultuosa – ocorrendo em consonância com “amargura” e “gritaria” apontam para um homicídio em potencial

Ira = explosão das emoções como uma fornalha ardente.

Gritaria = explosão violenta de uma pessoa que perde completamente o autocontrole e despeja suas emoções com gritos

Blasfêmias/Malediências = uso ofensivo das palavras dirigidas contra Deus e os homens.

Malícia = má inclinação da mente, perversa disposição em causar prejuízo ao próximo, com astúcia e falsidade.

O que mais entristece então o Espírito Santo são os pecados da língua que afetam negativamente os nossos relacionamentos. Entristecemos mais o Espírito Santo nos nossos relacionamentos.

Como temos que ser então?

“Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”.

Benigno/bondoso = benevolência concedida pelo Espírito, inteiramente contrária à maldade. É fazer algo de bom a alguém.

Compassivo/misericordioso = afeto de Jesus sobre a vida do outro, é ter uma profunda empatia pelo outro, interesse.

Perdoando-vos uns aos outros = sem perdão, é impossível qualquer tipo de comunhão.

Como Deus, em Cristo, nos perdoou: perdoamos porque fomos perdoados.

Assim como um pai não gosta de ver seus filhos fazerem mal a si próprios e aos outros, assim também é o Espírito Santo para conosco.

Algumas lições que podemos aprender aqui:

1 – APRENDA A CONTROLAR SUA EMOÇÕES NEGATIVAS.

Principalmente a sua raiva, a sua indignação. Não vá falando tudo o que você pensa. Cuidado com atitudes negativas.

2 – CUIDADO COM A AGRESSIVIDADE EXPRESSA ÀS PESSOAS AO SEU REDOR.

Com as pessoas de dentro da sua própria casa.
Com pessoas do seu círculo profissional.
Com pessoas do seu círculo eclesiástico e social.

3 – CONSTRUA UM RELACIONAMENTO SAUDÁVEL COM AS PESSOAS PARA TER UM RELACIONAMENTO SAUDÁVEL COM O ESPÍRITO DE DEUS.

Curioso que nessa passagem que diz para nós não entristecermos o Espírito Santo de Deus nada diz sobre ler a Bíblia e orar, por exemplo. Está falando o tempo todo de relacionamentos.

Ler as Escrituras e orar devem nos preparar para os relacionamentos. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Pneumatologia - Introdução

Significado

Pneuma (grego - vento) + logos (discurso, estudo, doutrina, palavra) = doutrina do Espírito Santo

Hebraico: Ruach (vento) – usado com vários sentidos, a serem determinados pelo contexto (ex: Jr 14.6; Jz 15.19; Sl 33.6; Jó 7.7; Jó 8.2; Gn 7.22; Gn 1.2

Pneumatologia é o estudo sistemático acerca da Pessoa e a obra do Espírito Santo conforme revelado nas Sagradas Escrituras.

A importância do estudo da doutrina do Espírito Santo:

- Uma das pessoas da Santíssima Trindade: Pai (Criador); Filho (Redentor); Espírito (Santificador)
- É Aquele que aplica pessoalmente a salvação sobre a vida do crente;
- É Quem torna possível o aspecto experiencial do evangelho em nossas vidas (comunhão com Deus, dons espirituais, consolação, fruto, transformação, etc).

Panorama histórico da doutrina do Espírito Santo

Nas Escrituras Sagradas, a divindade do Pai é explicitamente afirmada; a do Filho, argumentada; mas a do Espírito Santo, de modo geral, pressuposta por inferências lógicas (Erickson), conforme veremos no decorrer do curso.

No início da era cristã, não houve tanta ênfase acerca do Espírito, como em relação à concepção de Deus Pai, e também principalmente em relação ao Filho (gnosticismo, arianismo, etc).

Ainda assim, algo foi pensado acerca do Espírito. A concepção geral do final do segundo século é que foi o Espírito que escreveu as Escrituras, e ia aumentando em alguns autores uma maior compreensão da sua divindade (Clemente de Roma, Tertuliano, etc). Mas outros achavam que o Espírito era uma graça derramada sobre os apóstolos (Paulo de Samósata), um atributo de Deus (Irineu). O linguajar de teólogos como Orígenes davam dúvidas se o Espírito deveria ou não ser considerado como criatura divina e não parte da Trindade eterna. Outros achavam que era um anjo, ou a criatura mais elevada.

No início do sec. II, a história registra que Montano recebeu a experiência do dom de línguas e profecia, iniciando um novo movimento (montanismo), pregando um alto padrão de vida cristã, bem como enfatizando a volta de Cristo. Atribui-se a si o Espírito de Profecia, tendo como um dos mais notáveis convertidos Tertuliano, um dos maiores teólogos da antiguidade.

No final do séc. IV, o Credo Niceno-Constantinapolitano definiu que o Espírito deve ser adorado juntamente com o Pai e o Filho, entretanto, a história registra que mesmo nesse tempo ainda havia muita controvérsia em torno de sua pessoa e natureza. Nesse período, Gregório de Nazianzo e Basílio são tidos como uns dos maiores defensores da divindade e personalidade do Espírito.

Na idade média surgiu uma controvérsia entre a igreja ocidental (romana) e oriental (ortodoxa), qual seja, a cláusula “filioque” do credo niceno-constantinapolitano. No oriente se entendia que o Espírito procede do Pai (conforme João 15.26), mas no Ocidente, houve um acréscimo ao credo (procede do Pai e do Filho), o que contribuiu para a divisão da cristandade em 1054. De qualquer modo, doutrinariamente, nada mais se acrescentou à doutrina do Espírito.

Durante a Reforma (a partir do sec. XVI), Lutero enfatizou o trabalhar do Espírito em infundir amor e graça no coração dos crentes. João Calvino enfatizou a autoridade das Escrituras ressaltando a inspiração dos autores e o testemunho interior no coração de cada crente. Calvino também trouxe de volta ao ocidente a invocação do Espírito na oração eucarística, prática essa que parece ter sido abandonada na igreja ocidental (romana) de então.

John Wesley (sec. XVIII) enfatizou a operação do Espírito no que concerne a inteira santificação do crente, ensinando inclusive isso como uma segunda benção, o que veio a influenciar o movimento pentecostal posterior.

Do final do sec. XVIII ao XIX, houve um certo esfriamento em alguns setores da igreja. O “escolaticismo protestante” enfatizava mais a doutrina correta do que a experiência interior. O “racionalismo” colocou a razão e a ciência como juiz das Escrituras, afastando dela tudo o que não poderia ser provado cientificamente. O “romantismo” parece ter reduzido a religião ao extremo do subjetivismo, em puro sentimento (ou seja, a doutrina já não importava tanto). Entretanto, mesmo nesses períodos não deixaram de existir pregadores evangélicos avivalistas que davam grande importância à atuação do Espírito Santo na conversão das massas.

No final do sec. XIX, houve um novo interesse pelo estudo acerca do Espírito na teologia. Charles Parham (Kansas) e seus alunos chegaram à conclusão de que haveria um batismo no Espírito Santo após a conversão e o novo nascimento e que a evidência de que alguém o tivesse recebido era o falar em línguas, tendo relatados tais experiências (como no caso de Agnes Ozman), sendo aqui o início do movimento pentecostal. Entretanto, foi com William Saymour, nos encontros da Rua Azuza, 312 (Los Angeles), que o movimento pentecostal se popularizou nos EUA. Desde então, o movimento pentecostal e carismático tem se espalhado pelo mundo inteiro, influenciando mesmo as chamadas igrejas históricas, inclusive o catolicismo romano. Também há relatos de experiências do tipo pentecostal que se desenvolveram de modo independente na Escandinávia e no Reino Unido. Doutrinariamente, a ênfase histórica de boa parte do pentecostalismo, notadamente propagado pelas Assembleias de Deus é o batismo com o Espírito Santo, tendo como evidência o falar em línguas, sendo uma segunda experiência após a conversão. Mas mesmo dentro do pentecostalismo e em grupos carismáticos tal doutrina não é aceita, entendendo-se que se trata de somente mais um dentre outros dons do Espírito.


 Algumas Controvérsias envolvendo a doutrina acerca do Espírito Santo

- É Deus? Ou uma emanação do próprio Deus?

- Tem pessoalidade? Ou é somente uma força, uma energia?

- É Criador, juntamente com o Pai e o Filho, ou somente uma criatura?

- Procede somente do Pai, ou procede do Pai e do Filho?

- Ele convence “irresistivelmente” do pecado, da justiça e do juízo, realizando a regeneração, ou pode ser resistido?

- Os dons extraordinários como o de falar em línguas, curas milagrosas, e profecia, foram para um tempo específico, ou existem até os dias atuais?

- Somente os que falam em línguas são batizados com (ou no) Espírito Santo, ou o batismo é uma realidade na vida de todos os crentes?

- Os dons devem ser buscados e pedidos ao Espírito, ou não se deve busca-los, tendo em vista ser um ato de Sua soberania?

- O Espírito nos leva a algum tipo de transe, manifestações cúlticas extravagantes, gritos, ou nos remete à sobriedade, ao domínio próprio e tranquilidade?

BIBLIOGRAFIA

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz para o Caminho, 1990.

ENNS, Paul. Manual de Teologia Moody. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2014.

ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015.

FERGUSON, Sinclair B. O Espírito Santo. São Paulo: Os Puritanos, 2000.


HORTON, Stanley M. A doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: Casa Publicadoras das Assembleias de Deus, 1993.

sábado, 20 de maio de 2017

Características (também) maternas no Espírito Santo em nosso favor

Na antiguidade era comum termos nas diversas religiões a imagem de alguma deusa, uma figura feminina para os fiéis. Diana, a deusa dos Efésios; Afrodite, a deusa do amor para a mitologia grega; Ísis dos egípcios; Iemanjá, a deusa do mar para algumas vertentes espíritas, entre outras.

No catolicismo romano, todos sabemos, temos a figura de Maria, mãe do nosso Senhor, que é venerada acima de todos os santos. No catolicismo popular, hoje, ela é considerada medianeira, intercessora, consoladora, advogada, corredentora. Ou seja, são elementos improváveis pelas Escrituras Sagradas, mais devedores à tradição católica, e que está muito distante da concepção evangélica atual.

Mas e no protestantismo? Será que temos alguma figura feminina da qual celebrar? Parece que nossa expressão, desde o judaísmo, é um tanto quanto patriarcal, com o Pai no centro.

E de fato, Jesus nos ensinou a chamar o seu Pai de nosso Pai. Daí, não se possível, a meu ver, querer transmutar em nossa Mãe. Em seu evangelho, Jesus revela a Deus como nosso Pai. Caso quisesse, poderia ter dito que era nossa mãe, mas assim não o fez, de modo que eu, particularmente, não apoio traduções nas Escrituras que na oração do Pai nosso queiram chamar Deus de nosso Pai/Mãe, ou coisa do tipo.

Mas e daí? Por conta disso, ficaremos sem uma figura materna em nossa espiritualidade?

Bom. Particularmente, gostaria de propor uma alternativa para todos nós evangélicos. Que nós enxergássemos e apreciássemos aquelas características em Deus, mais precisamente no Espírito Santo, que se aproximam de características maternas. Eu não acho que seja impreciso falar desse modo, tendo em vista que Deus é a fonte de todo bem, inclusive das maravilhosas características maternas de toda boa mãe.

Uma mãe é aquela que, pelo menos do ponto de vista biológico, gera vida, traz a luz filhos. São momentos de intimidade, alegria, e mesmo de dor que somente uma mãe poderia sentir, experimentar e explicar. Também são momentos de dores, muitas vezes. Assim também o Espírito Santo é aquele que nos faz nascer de novo (Jo 3.5-6), é Aquele que realiza esse milagre em nós. Também creio que não é algo que ocorra sem sofrimento naquele que é a própria Pureza absoluta. É um milagre que só ele pode operar, podendo nesse processo utilizar vidas, uma vez que o próprio Paulo dizia sofrer as dores de parto até que Cristo fosse gerado em seus discípulos. Grande é esse mistério da fé, o da nossa regeneração no Senhor por intermédio do Espírito Santo!

Uma outra característica de uma boa mãe é que ela corrige seus filhos quando andam errados, educando-os, trazendo-os de volta à luz. Assim também o Espírito é Aquele que nos convence do pecado (Jo 16.8), e creio eu, não faz isso somente com incrédulos, mas principalmente conosco, os crentes também. Nos alerta quando pecamos, falhamos, damos um fora e nos traz para mais perto da verdadeira Luz do mundo, que é nosso Senhor. Bendito seja Deus pelo seu Espírito que sempre nos conduz. Paulo disse que aqueles que são conduzidos pelo Espírito são filhos de Deus!

Nossa mãe é a nossa mestra, que desde os primeiros anos de vida, vais nos ensinando o caminho do bem. Assim também o Espírito Santo é aquele que Jesus disse que nos guiaria em toda a verdade (Jo 16.13), afinal, Ele é o Espírito da verdade! Em tudo precisamos nos manter ensináveis diante do Santo Espírito! O que é muito interessante é que Jesus disse que, quando partisse, não deixaria os seus discípulos ficarem órfãos! E é por isso que o Espírito pode assumir características tão maternas, de certa forma. O Espírito cuida  de nós!

Mãe também é aquela que consola em um momento de tristeza! Que coisa melhor que um colinho da mãe, não é mesmo? Pois o Espírito Santo também é chamado de consolador (Jo 14.14-17)! É aquele que caminha ao nosso lado, não nos deixa, não nos abandona. Por maior que seja a tristeza, ele permanece para nos consolar! Por isso podemos suportar tantas coisas tristes que não raramente ocorrem para com o povo de Deus!

Finalmente, nossa mãe é aquela que, se precisar, intercede por nós diante das nossas dificuldades, enrascadas e outras coisas que nos enroscam. Nossa mãe luta por nós! Assim também o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rom 8.26). Nós não sabemos orar como convém, e não raramente nos metemos em enrascadas. Pois o Espírito intercede ao Pai por nós a partir de nós! Algo maravilhoso e inexplicável. Assim como uma mãe nos conhece profundamente, mais ainda o Espírito Santo, e este também conhece as profundezas do Pai, e leva nossas causas diante do Pai.

Esses, entre muitos outros, podem ser considerados aspectos maternos no cuidado que o Espírito tem para conosco. Que possamos, por isso, amar e obedecer esse Espírito bendito, que sempre cuida de nós!


Deus abençoe!


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