11 Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas
no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo,
Agora as atenções são voltadas para o
rito da circuncisão; contra aqueles que sustentavam que os cristãos deveriam
ser circuncidados.
Paulo faz a notável observação de que os
seus leitores foram circuncidados, e que ela é muito superior à circuncisão
judaica:
A nossa circuncisão não foi feita por
mãos humanas, mas sim pelo Espírito Santo; a judaica foi uma operação manual.
A nossa foi interna, do coração (Rm
2.28-29); a judaica era exterior (o que não significa que teria algum valor se
fosse mero rito, mesmo antes de Cristo).
A nossa despojou o corpo da carne,
operando santificação; a judaica, remoção da pele.
A cristã é a circuncisão de Cristo; a
judaica é Abraâmica e Mosaica.
Há quem sustente até os dias de hoje
que, se quisermos ser como Cristo, deveríamos nos circuncidar assim como ele. Entretanto, a circuncisão física foi um pacto,
uma aliança com Abraão; que não foi considerada extensiva aos gentios (Atos 15),
pois Cristo é a nossa circuncisão, que cumpriu em sua carne todos os
mandamentos em forma de ordenanças.
12 tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual
igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o
ressuscitou dentre os mortos.
Uma realidade fascinante. A verdadeira
fé nos une a Cristo, e o batismo simboliza o fato de termos morrido e
ressuscitado com Ele. Não se trata de um ritual mágico, que opera algo
independente da fé da pessoa. Por isso que se diz “ressuscitados mediante a fé”
no poder de Deus. É esse poder (energia) de Deus que realiza o milagre da morte
do velho eu e da ressurreição em nós.
Batistas e pentecostais, baseado nessa
ideia de sepultamento, preferem realizar o batismo por imersão, diferente de
outros grupos que o fazem por aspersão, invocando outros símbolos (Ezequiel
36.25).
A menção ao batismo logo após a crítica
à circuncisão literal tem levado alguns comentaristas a entender que o batismo,
de fato, substituiu o rito da circuncisão. Daí, entenderem que o que Rm 4.11
diz sobre a circuncisão (sinal e selo) é válido hoje para o batismo.
13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e
pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando
todos os nossos delitos;
“Vós outros”, ou seja, os gentios. Paulo
não alivia para estes, e afirma que estavam mortos em delitos e em pecados,
sendo sua incircuncisão o símbolo vivo de seu estado pecaminoso. Viver assim é
estar morto em transgressões. Entretanto, foi nesse mesmo estado que Deus nos
deu vida! Note que o versículo começa com “vós outros” (ou seja, se dirigindo
aos gentios), mas termina com “todos os NOSSOS delitos”, ou seja, Paulo inclui
a si próprio e todos os judeus na necessidade do perdão de todos os delitos.
14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que
constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente,
encravando-o na cruz;
O que seria esse “escrito de dívida”?
Seria uma lista com todos os nossos pecados, demonstrando assim nossa dívida
para com Deus? Não; o escrito de dívida era a própria lei, que constava de
ordenanças. Essa lei dizia que “maldito o que não andar segundo todas as coisas
escritas no livro da lei para praticá-las” (Deut 27.26). Ou seja, embora a lei
fosse boa, fato é que ninguém conseguiria vive-la plenamente, sendo sempre motivo
de acusação para com todos os que pecassem. Sendo assim, com a morte de Cristo,
Deus “cancelou o escrito de dívida” e “removeu-o inteiramente, encravando-o na
cruz”. Essas ordenanças, essas acusações da lei, essas leis cerimoniais que não
eram um fim em si mesmas (como sacrifícios de animais, circuncisão) foram
encravadas na cruz! Morreram com Cristo! Tudo ali foi consumado! Todas essas
ordenanças que remetiam à lei cerimonial acabaram para os cristãos! Daí, não
fazer sentido voltar para os velhos rituais judaicos.
15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os
expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.
Na cruz, Jesus despojou os principados e
potestades (anjos maus) da munição que tinham para acusar os irmãos, pois tais
seres são acusadores (Jó 1.9-11; Zc 3.1-5; Ap 12.10). Ele nos resgatou do
domínio das trevas (Col 1.13). Tais seres são meras criaturas (Col 1.16).
Cristo é o cabeça de todo principado e autoridade (Col 2.10). Jesus venceu o
diabo no deserto (Mt 4.1-11). Amarrou o homem forte (Mt 12.29). Viu Satanás cair
do céu como um relâmpago (Lc 10.18). Foi lançado fora o acusador dos irmãos (Ap
12.10).
16 Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de
festa, ou lua nova, ou sábados, 17 porque
tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de
Cristo.
Ou seja, ninguém (os falsos mestres) vos
julgue por não guardar esses rituais e essas rígidas prescrições alimentares. A
lei trazia prescrições quanto ao comer (Lv 11). Entretanto, não há muitas proibições
no que se refere ao beber, a não ser quando do serviço ao altar (Lv 10.9), pelo
voto de nazireu (Num 6.3), embora a falta de moderação seja condenada (Is
5.11-12; Am 6.6; Pv 20.1), o que faz parecer que as regras dos falsos mestres
de colossos eram até mais rígidas nessas questões. Havia as festas como a
Páscoa, Pentecoste, Tabernáculos e outras (Lv 23), luas novas (Nm 10.10;
28.11), sábados (Ex 20.8-11).
Paulo deixa claro que tudo isso eram
sombras do que haveria de vir. As prescrições alimentares do povo judeu,
alicerçados na aliança da lei, tiveram seu caráter pedagógico ao propor o que
era santo e imundo, entretanto, no início não era assim (Gn 1.30) e Jesus
declarou puro todos os alimentos (Mc 7.19), embora ele mesmo tenha vivido
debaixo da lei. Jesus é o pão da vida (Jo 6.35, 48), é a nossa Páscoa (1 Co
5.7), o nosso descanso (Mt 11.28,29), sendo nosso sumo-sacerdote (Hb 4.14).
Às vezes, antes de alguém chegar até
nós, dependendo da posição da luz, podemos ver sua sombra chegando primeiro.
Essa luz oferece um pouco o contorno de seu portador, e dá uma ideia de
proximidade. Mas quando tal pessoa chega realmente, não precisamos mais olhar
para a sombra. Foi assim que a lei se comportou em relação à Cristo. Eram
sombras do que estava por vir. Mas vindo a realidade anunciada, não precisam
mais serem observadas. Daí o dever de não se recriar novamente as prescrições
da lei para a igreja.
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