18 Ninguém
se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos,
baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal,
19 e
não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas
juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.
Agora Paulo vai falar
acerca de determinados mestres que ensinavam que se deveria prestar culto aos
anjos. Vejamos suas características:
1 – Eles se faziam de árbitros contra os
crentes (“ninguém se faça de árbitro contra vós outros”): esses falsos
mestres estavam julgando os cristãos de colossos pelo fato destes não
compactuarem com suas visões. Neste caso, é bem provável que os crentes
colossenses estavam sendo chamados de não espirituais.
Não é incomum os
cristãos serem julgados por diversos modos no meio da sociedade que estão
inseridos. Quando estavam em uma sociedade politeísta, foram chamados de ateus.
Quando em sociedades totalitárias, são chamados de colaboradores do inimigo. Em
sociedades extremamente liberais, são chamados de retrógrados. Em colossos, os
falsos mestres diziam que eles não eram espirituais. Em meio a alguns grupos monoteístas,
por estes não entenderem a doutrina da Trindade, acusam cristãos de serem
politeístas. Em sociedades teocráticas, quem se converte ao evangelho, é
chamado de apóstata. Ou seja, o tempo todo os cristãos estão sendo julgados
pela sociedade ao seu redor.
2 – Eles se diziam humildes por prestarem culto aos anjos. A ideia era
mais ou menos a seguinte. Eles diziam que, por serem muito humildes, indignos,
eles não poderiam se dirigir diretamente a Deus. Por isso eles rendiam esse
culto aos anjos, que serviriam como intermediários entre eles e Deus. Então,
eles utilizavam a humildade como pretexto para tal culto, como que querendo
dizer que os crentes em Colossos eram arrogantes, por não prestarem tal culto. Há
um firme testemunho antigo de que regiões da Ásia Menor eram lugares em que se
praticava esses cultos aos anjos, o que foi firmemente combatido pela igreja. No
sínodo de Laodicéia, em 363, Cânon XXV, foi dito: “Não é correto para os
cristãos abandonarem a Igreja de Deus e irem invocar anjos”. Outros pais da
igreja combateram tal heresia. E ainda, o culto aos anjos é condenado pelas
Escrituras Sagradas (Apc 19.10; 22.8-9).
Curiosamente, mesmo no
catolicismo popular, há quem pense que a veneração aos santos seja uma forma de
humildade no culto a Deus. Há quem diga, por exemplo, que assim como um rei tem
vários ministros, e alguém, antes de chegar àquele tinha que passar por estes,
também nós, antes de nos achegarmos a Deus, precisamos passar por seus
ministros, fazendo com que, os que não aceitam tal postura, passem como
orgulhosos.
3 – Eles se baseavam em suas próprias visões.
Eram mestres do tipo espiritualista, místico, que diziam com veemência que
aquilo que ensinavam estava baseado em suas visões espirituais. É possível que
eles acreditassem mesmo que suas visões eram verdadeiras. E queriam que todos
se submetessem. Eles não estavam firmados na tradição apostólica baseada nas
Escrituras Sagradas. Não é dado a ninguém na igreja de Deus a impor suas visões
pessoais sobre toda a comunidade, independentemente de serem ou não genuínas. Tudo
tem que estar apoiado nas Sagradas Escrituras, com ajuda da tradição
interpretativa da igreja. O apóstolo Paulo chegou a dizer que mesmo anjos “vindos
do céu” poderiam distorcer a mensagem do evangelho.
4 – Eles eram muito orgulhosos (“enfatuados,
confiantes, sem motivo algum, em sua mente carnal”). Paulo diz que eles eram
justamente o oposto do que demonstravam ser. Não é humilde aquele que quer
submeter todos à sua visão particular. Essa mentalidade um tanto quanto
mística, que quer prestar culto a anjos e se basear em visões, segundo Paulo é
exatamente o oposto. É uma mente CARNAL, ou seja, baseada em no próprio
indivíduo. Não há nada de espiritual nisso.
5 – Eles não aceitavam a suficiência de Cristo
Jesus (“e não
retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas
e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus”). Uma vez que esses
mestres tinham viam necessidade de cultuar anjos, significa que eles não
aceitavam ter sua suficiência em Cristo Jesus. Uma vez que eles se baseavam em
suas próprias visões, eles não se acomodavam ao ensino de Cristo.
Porém o apóstolo Paulo
deixa claro que uma pessoa ou comunidade só podem obter o seu crescimento caso
se mantiver ligado com o cabeça, que é Jesus. Nada mais é preciso ser
acrescentado a Cristo Jesus. Somente o crescimento que procede de Deus é
realmente saudável para o indivíduo e para a comunidade.

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